“Descubra as mais quentes fantasias de príncipes e princesas entre quatro paredes”
Um
conto da autora Nancy Madore do Livro Contos de Fadas Eróticos
Meu
nome é Bela. É provável que você já tenha ouvido falar de mim. Minha história,
ou melhor, a história que contam a meu respeito, já foi repetida inúmeras
vezes. Mas nem de longe é a minha história. Os detalhes foram totalmente
omitidos. Eu pensaria que, depois de ser repetida tantas vezes ,alguém, ao
menos uma vez, esbarraria na verdade. E talvez alguns de vocês
tenham lido por entre as frases ilusórias e desconfiado da verdade, por mais inacreditável
e chocante que pareça. Ou talvez a verdade seja realmente fantástica demais para
se acreditar. Admito que há vezes em que eu mesma quase não acredito, e tudo
parece um sonho distante.
De
fato, parte do que foi registrado como minha vida é verdade, já que, para
salvar a vida de meu pobre pai, concordei em viver com uma temível criatura,
mais fera do que homem.
Também
é verdade que me apaixonei pela Fera. Quanto ao que aconteceu depois disso, os livros
de história são bem precisos em sua apresentação da Fera que, diante de minha declaração
de amor, foi liberta de uma maldição e voltou à sua forma original, como um charmoso
príncipe. Nós nos casamos naquele mesmo dia. Mas aí terminam as semelhanças
entre a lenda que vocês leram e a minha incrível narrativa. Porque eu não vivi
"feliz para sempre", depois daquele dia. Eu sinto falta de minha
Fera.
Enquanto
definho por entre os corredores desse castelo, meu pensamento sempre regressa ao
primeiro dia que passei aqui. Foi com grande tremor que deixei meu quarto
naquele dia, com muita cautela, seguindo pelos vastos corredores que
serpenteiam por essa fortaleza.
Apesar
de toda a especulação sobre o assunto (motivo pelo qual não preguei os olhos na
noite anterior), eu não podia imaginar o porquê de a Fera ter solicitado minha
presença. Passei aquele dia sozinha, entrando e saindo dos cômodos, olhando os
arredores desconhecidos, enquanto tentava adivinhar o que vinha pela frente.
Não
se pode dizer que vim para esse imenso castelo da Fera contra minha vontade,
pois eu estava um tanto ansiosa em deixar para trás a pobreza e o tédio de
minha infância. Portanto, quando o dever me premiou com essa aventura, não
fiquei totalmente insatisfeita.
Eu
não poderia dizer como um castelo deveria ser, mas pareceu-me que tudo o que vi
era exatamente como deveria. Ancestrais de aparência um tanto austera me
olhavam desdenhosos nas molduras penduradas nas paredes. Outras paredes exibiam
tapeçarias de piqueniques franceses, vinhedos italianos e outros encontros
exóticos. A mobília era entalhada na mais fina madeira, os carpetes
exageradamente grossos e coloridos. Resumindo, tudo era um tanto
extraordinário
em sua elegância e esplendor.
Naquele
dia não tive a chance de encontrar a Fera, enquanto vagava pelo castelo. Em minha
chegada, na noite anterior, ele instruíra um serviçal a me conduzir diretamente
ao meu quarto, depois rapidamente me despedi de meu pai, e o vi carregar dois
baús pesados em sua carruagem. Eram presentes da Fera, que ordenara que
enchessem os baús de tesouros para meu pai levá-los com ele. Pensar em minha
família abrindo os baús me proporcionou satisfação e calma.
Não
saí de meu quarto durante o restante da noite, por mais que estivesse inquieta
e sem sono. Pelas longas horas daquela noite silenciosa, até o começo do dia
seguinte, pensei sobre o fim de minha vida antiga, enquanto seguia de um cômodo
a outro, olhando tudo, minuciosamente, sem ver uma alma Viva. O jantar foi
anunciado com o tocar de uma campainha, e foi então que voltei a encontrar a Fera.
Apesar de sua aparência horrível e de sua voz rude, fui felizmente surpreendida
ao descobrir que ele era, de fato, um anfitrião encantador, pois passamos o
primeiro jantar conversando amistosamente, acompanhados de comida e bebida que
deleitavam o paladar.
Assim
que a refeição terminou, a Fera se levantou, me inspecionando por um instante
com seus olhos escuros, antes de perguntar:
-Aceita
se casar comigo, Bela?
Encarei
a Fera estarrecida. O que eu deveria fazer? Embora meu coração estivesse batendo
forte, em estado de alerta para não enfurecê-lo, de algum modo consegui
sussurrar:
-Não,
Fera. A Fera acenou ligeiramente com a cabeça e disse:
-Então
está bem -num tom que indicava já esperar essa resposta, depois se foi pelo
corredor.
Aliviada
por não ter provocado a Fera com minha recusa à sua proposta, também deixei a sala
de jantar para me recolher.
Esqueci
de descrever meu quarto? Não pense que foi por não valer a pena, pois era e ainda
é o quarto mais bonito que encontrei nesse elegante castelo.
Na
noite anterior, assim que entrei no cômodo, estava preocupada em reparar em
tudo ao redor. No entanto, nessa noite, passei de uma coisa para outra,
examinando a enorme variedade de objetos que haviam sido colocados ali para meu
conforto, até que meus olhos pararam na cama extraordinária em que eu iria
dormir. Ao longo dos dosséis altíssimos exibiam-se entalhes detalhados de
imagens de animais, circundando as bordas e subindo até o alto, onde havia um
homem coroado. Eu desconhecia o significado dos entalhes extraordinários que
adornavam aquelas molduras de madeira, mas, mesmo assim, olhava-os atentamente,
de forma que sua beleza não foi desperdiçada comigo, apesar de minha criação humilde.
Ao
lado da cama havia um buquê enorme, com mais de cem flores cor-de-rosa,
colocadas num vaso imenso na mesinha de cabeceira. E posso garantir que,
daquele dia em diante, nunca mais houve uma noite em que eu entrasse em meu
quarto sem encontrar um lindo buquê de flores recém-colhidas.
A
roupa de cama era tão magnífica quanto tudo em que pousei os olhos naquele dia,
e um arrepio de puro deleite me percorreu quando mergulhei nos lençóis de seda
pura. Foi uma sensação tão prazerosa que fiquei momentaneamente tentada a tirar
minha camisola. Em vez disso, lentamente corri as mãos pelos lençóis. Meus
sentidos rapidamente mergulharam em
sensações
exóticas, influenciados por tanto luxo.
Fui
surpreendida em meio ao encantamento, quando uma luz subitamente entrou pela
porta do quarto.
-Quem
está aí? -perguntei, sentando e trazendo os lençóis de seda até o pescoço.
-Apenas
eu, seu servo, a Fera -foi a resposta gentil. Seu comportamento era
tranquilizador e agradável, tanto quanto temível a sua aparência.
-Pode
entrar -respondi, mais calma.
A
Fera abriu a porta do meu quarto, mas não passou da soleira. Através da luz
fraca do corredor, pude ver claramente o perfil de seu corpo que, não fosse sua
gentileza, seria assustador. Esperei que ele falasse.
-Eu
apenas gostaria de saber se correu tudo a contento, minha dama -disse ele, permanecendo
do lado de fora.
-A
contento? -repeti, subitamente entretida.
-Minha
nossa, não! ]amais me atreveria a descrever esses aposentos como "a
contento". -Sorri ligeiramente por minha piadinha e joguei para o lado as
cobertas extravagantes, me esticando até a mesa de cabeceira para acender o lampião.
A
Fera continuou em silêncio e me encarava, aparentemente estarrecido. Vendo sua expressão,
percebi que minha súbita resposta provavelmente o teria insultado, e logo
procurei consertar as coisas.
-Oh,
Fera! O que eu quis dizer é que... bem, é lógico que tudo está a contento.
Nossa, muito mais que apenas a contento! Foi isso que eu quis dizer, claro.
Mas
algo estava terrivelmente errado. Era como se a Fera nem sequer tivesse me ouvido. Sem pestanejar, pulei da cama e me
aproximei dele, empenhada em me explicar. Mas só consegui dar alguns passos até
paralisar-me de terror.
Teria
eu ouvido um rugido? Minha mente se alternava entre choque e descrença. Isso
era impossível! E seus olhos tinham um brilho tão estranho. Ele ficou
totalmente imóvel, como um animal pronto para atacar.
-Fera?
-sussurrei, mais em tom de súplica, que de interrogação. E ele subitamente se
foi.
Ainda
fiquei ali por uns instantes, procurando recuperar minha compostura. Olhei
minhas mãos trêmulas e percebi que minha camisola era totalmente transparente,
de cima a baixo! A luminária que eu havia acendido só serviu para realçar minha
nudez sob o tecido!
Não
vi mais a fera até o jantar do dia seguinte. Ele foi gentil e refinado, como
tinha sido durante nossa refeição anterior. Sempre que nossos olhares se
cruzavam eu corava e me arrepiava por completo, mas ele nunca deu sinais de
perceber. Seu comportamento chegava a aliviar meus medos e suspeitas, e voltei
a ficar à vontade, achando sua conversa agradável e amistosa. Depois ele se
levantou e me fez a mesma pergunta da noite anterior, o que faria a cada noite
a partir de agora. -Bela, você aceita se casar comigo? Ao que eu sempre respondia:
-Não, Fera. Nossa amizade desabrochou. Ainda assim, todo ruído que ouvia em meu
quarto, à noite, me deixava ansiosa e sem sono, esperando, sobressaltada,
aquela leve batida em minha porta.
Mas
a Fera não voltou a se aventurar perto de meu quarto.
Fui
eu que, numa noite de insônia, passei pelo quarto dele, a caminho da
biblioteca, em busca de algo para ler. Ao passar ouvi um barulho, bem parecido
com um gemido, vindo do outro lado da porta. Parei bruscamente.
Em
seguida ouvi novamente o ruído. Logo soube que era a Fera e fui tomada de compaixão
por ele. Estaria adoentado?
Sem
pestanejar, bati à porta. Alguns instantes se passaram e bati novamente.
-Vá embora - finalmente o ouvi dizer, em tom
suplicante. -Não vou -respondi, determinada.
-Não
até ver que você está bem. -Silêncio outra vez.
-Por
favor -implorei, voltando a bater. -Apenas abra a porta e me deixe...
-Afaste-se
da porta, Bela! -ordenou ele, de modo áspero.
-Vá
embora agora mesmo, ou estará em perigo! -seu tom era controlado, mas a voz
parecia desesperada.
Muitas
vezes fiquei pensando por que não o deixei naquele momento. Já disse a mim mesma
que não poderia ter deixado um amigo em apuros. Que foi minha curiosidade que
não me permitira partir. Já disse a mim mesma uma infinidade de coisas, mas
acho que você também não vai acreditar.
Virei-me
em direção à maçaneta e abri a porta do quarto da Fera.
Estava
um breu. Dei alguns passos à procura dele, em meio à escuridão. Subitamente a porta
bateu atrás de mim. Meus cabelos se eriçaram.
A
escuridão foi lentamente revelando algumas sombras. Meus olhos percorriam o
cômodo imenso freneticamente, buscando pela silhueta da Fera. Subitamente ouvi
o ranger das argolas no trilho, quase me matando de susto, e a cortina pesada
sendo puxada, deixando o luar entrar no quarto. Agora eu podia ver a Fera
claramente, à medida que se aproximava. Também podia ouvir sua respiração
descompassada e, então, notei que ele ofegava.
Minha
respiração também ficou mais acelerada e eu tentava desesperadamente encher os pulmões
de ar. Era como se o quarto imenso tivesse sido reduzido à metade ao dar-me
conta do porte gigantesco da Fera. O medo corria em minhas veias, deixando-me
em estado de alerta quanto ao que havia ao redor. A Fera se aproximou
lentamente, até ficar tão próximo que eu podia sentir seu hálito morno em minha
pele. Até me arrisquei a pensar que sentia o calor vindo de seus olhos. Ele era
quase meio metro mais alto que eu, com ombros largos, que mediam quase três
vezes o meu tamanho. Havia um brilho incomum em seus olhos escuros. Eu me
arrepiei, apesar do calor que emanava dele. -Se você não quer que sua camisola
seja destruída, tire-a já -disse a Fera, finalmente. Ele tinha um tom casual,
mas seu comportamento era contido, revelando o esforço para manter o controlo.
Sua voz era áspera e tão profunda que ele mal conseguia transmitir a linguagem humana.
Sua presença me dominava e oprimia. Seu olhar me hipnotizava. Seu hálito me queimava.
Não havia nada que me lembrasse do amigo meigo com quem eu compartilhara tantas
refeições.
Ainda
assim, ao olhar em seus olhos, pasma, uma nova sensação brotava dentro de mim, misturando-se
ao medo.
Totalmente
imóvel, exceto por meu coração disparado, eu enfrentava meu apuro (enquanto isso,
a sensação persistia e aumentava, até que subitamente me senti estranhamente
excitada).
Nesse
estado, eu só via a situação de forma superficial e ponderava comigo mesma: Que
poder eu teria para resistir à Fera? De fato, resistência parecia algo
improvável com ele ali,
altivo,
acima de mim, silenciosamente esperando que eu obedecesse à sua ordem. Do que
ele seria capaz, se eu não concordasse, eu não me atreveria a especular. A Fera
que estava ali à minha frente parecia pronta para atacar ao menor movimento
meu. No entanto, eu desconfiava ligeiramente que a Fera se empenharia ao máximo
para ceder à minha vontade, desde que eu não tentasse fugir.
Durante
o tempo em que fiquei ali, que me pareceram horas, apesar de terem sido provavelmente
meros segundos, fui tomada por uma excitação que aos poucos crescia dentro de
mim, sem admitir que não estava nem um pouco desesperada pelo fim daquela
situação.
Com
um movimento súbito, tirei a camisola, antes que mudasse de ideia. Muito
agitada, fiquei aguardando pelo próximo passo da Fera, mas ela permanecia em
silêncio por um tempo que pareceu interminável. Eu me perguntava se ele poderia
ouvir meu coração frenético e seu eco ruidoso em meus ouvidos.
A
Fera lentamente ergueu sua mão enorme e acariciou levemente meu rosto. Gemi de susto
ao senti-lo. Sua mão era tão áspera que quase provocava dor ao toque. Os olhos
da Fera momentaneamente faiscaram de raiva, mas logo se aquietaram enquanto me
estudavam, confusos.
–
Não quero machucá-la, Bela -sussurrou ele.
-Você
é quem controla o destino de nós dois.
Não
consegui compreender o significado de suas pala raso Sua presença lentamente me
dominava, me e volvendo e encurralando em sua força perigosa, como se ele
estivesse me alertando sobre algo. Teria ele dito que eu estava no controlo?
Será que eu deveria detê-lo?
Eu
me perguntava: eu poderia detê-lo? Eu me sentia fraca demais para me mover. Por
outro lado, suas mãos, um tanto grandes, como comentei, afagavam rudemente a
minha pele, abrindo caminho até os meus seios. Para minha surpresa, meus
mamilos reagiram imediatamente, enrijecendo ao toque. Quando ele os apertou, um
gemido escapou dos meus lábios; a força bruta de suas mãos, junto com meu
desejo crescente, era agonizante.
Ele
continuou a me tocar e, ao chegar no meio de minhas pernas, senti-me levemente envergonhada,
pois minha excitação se tornou evidente. A Fera agora estava mudando rapidamente
-a cada instante se tornava mais fera e menos homem.
-De
joelhos -rosnou ele, por entre a respiração pesada. Encarei-o, calada. A
realidade do que estava se passando subitamente me assolou. Ele me possuiria da
mesma forma como o faria com um animal. Era tarde demais para mudar de ideia,
uma vez que ele já estava manobrando meu corpo na posição que ordenara, bem
ali, no chão. Ele o fez com tanta destreza e habilidade que não tive dúvidas
quanto à sua força, ou à futilidade que seria tentar fugir.
Por
alguns instantes permaneci imóvel onde ele me posicionou. Enquanto isso a Fera
se ocupava em livrar-se de suas roupas, atrás de mim. Ainda muito amedrontada
para me arriscar a olhar a Fera e enfurecê-la, limitei-me a imaginar a
indumentária tão dolorosa sob a qual ele se escondia. Mas minha curiosidade
acabou vencendo o medo e, quase sem querer, minha cabeça se virou em sua
direção. Um gemido involuntário saiu dos meus lábios.
Ele
estava sem roupas, exceto pela camisa, que pendia aberta, revelando seu dorso coberto
por pelo animal. Da cintura para baixo seu corpo lembrava o de um leão, com
imensas patas no lugar dos pés e um longo rabo pendurado até o chão. Porém,
mais aterrador do que tudo era o que se projetava à frente, logo abaixo da
cintura. Era de uma coloração vermelho arroxeada, de um tamanho sobre-humano.
Tive certeza de que meu corpo jamais seria capaz de acomodá-lo.
A
Fera ouviu meu gemido e viu-me encarando-o horrorizada. Ele soltou um rugido terrível
e pronunciou algo apenas parecido com "Vire-se!"
-Você
vai me matar! -gritei, realmente horrorizada, apesar de obedecer à sua ordem
rude.
-Prometo
que você sobreviverá -respondeu ele, com a súbita recuperação de sua gentileza anterior.
Sua voz tremia ao esforçar-se para falar.
-Terá
de ser assim até que você nos liberte dessa maldição.
Fiquei
hipnotizada por suas palavras, mas não tive tempo de lidar com elas, pois subitamente
senti seu hálito quente, como um vapor, entre minhas pernas. Mesmo com tal preliminar,
eu estava inteiramente desprevenida para o que viria a seguir.
Áspera
como papel-jornal e maior que uma folha de carvalho, a língua da Fera
lentamente serpenteou, adentrando as minhas partes mais íntimas. Quase saí de
mim, mas a Fera me
segurou
firme, repetindo o ato mais e mais vezes. Ao mesmo tempo irritada e encantada
pela persistência da coisa desumana que continuava roçando minha carne
delicada, eu não podia fazer muito além de ora me movimentar e contorcer-me
tentando desesperadamente me afastar, ora me apertar de encontro a ele. Sua
língua imensa cobria toda a minha região exposta com um único golpe, depois
finalizava sua invasão com o entusiasmo de um bicho faminto. Eu estava a ponto
de desfalecer de tanta excitação.
Finalmente
a Fera parou com um grunhido, e senti seus dedos enormes me arreganhando.
A
essa altura meu corpo inteiro sacudia violentamente.
Apesar
de minha excitação, sentia uma pressão imensa à medida que a Fera começava a se
apertar contra mim, por trás. Contestei com gritinhos e meu corpo
instintivamente se inclinou à frente, numa tentativa de fugir da Fera invasora.
No entanto, ele não permitiria, e suas mãos poderosas me agarraram
fervorosamente pela cintura, me puxando de volta para trás, até que ele me
penetrou. Gritei. Com visível dificuldade, a Fera tentou manter o resquício
humano que ainda possuía. Seu corpo inteiro balançou, enquanto ele me segurava
firme no lugar, e, com uma voz abafada, disse:
-Você
vai se acostumar comigo num instante.
Mas
eu já estava me acostumando antes que ele terminasse a frase. Meu corpo todo subitamente
pareceu em chamas. Eu gemia, me balançando para a frente e para trás. Aquilo
era muito além do que eu jamais experimentara. Puxando os meus quadris com
golpes curtos, a Fera começou uma investida gradual, mas permanente.
-Devagar
-eu o ouvi murmurar, possivelmente para si mesmo, enquanto prosseguia penetrando
meu corpo. Ele investia devagar e me segurava firmemente no lugar. Tudo o que
eu podia fazer era permanecer imóvel, ofegante, morrendo de prazer num instante
e, no outro, sentindo uma dor imensa.
Jamais
pensei que fosse possível suportar a total penetração da Fera, mas foi. Quando
ele me possuiu completamente, eu mal podia respirar, pois me sentia como se
estivesse sendo perfurada. Eu só tinha consciência daquela parte em mim, onde
ele me preenchia.
Bem
devagar, respirando com dificuldade e em meio a rosnados, a Fera começou a se mover,
entrando e saindo de mim. Ele prosseguiu em ritmo lento por um bom tempo,
deixando que eu me acostumasse totalmente com ele. Mas, por fim, seus gemidos
se tornaram mais altos e selvagens, e suas investidas passaram a ser mais
fortes e rápidas. Sua respiração queimava a pele das minhas costas. Suas mãos
perfuravam minha carne, machucando a pele sensível.
Achei
ter sentido seus dentes mordendo meu ombro.
Eu estava
excitada a ponto de sentir dor. Já tendo perdido a timidez há muito, comecei a me
tocar a fim de aumentar o prazer, enquanto me esfregava contra a Fera. Mas era
tarde demais. Com um grito ensurdecedor e uma última investida, a Fera me invadiu
com um furor que pude sentir ao longo de minhas pernas trêmulas.
Fiquei
profundamente desapontada e inclinada a me afastar, mas ele me segurou firme no
lugar, permanecendo ao meu lado, inteiramente excitado, pegando minha mão e
colocando-a de volta no meio de minhas pernas. Ele a segurou até que eu a
mantivesse ali, como ele queria.
Fiquei
temporariamente encabulada por ele saber o que eu estava fazendo, mas logo passou,
e meu entusiasmo voltou. Ao me dar conta de que tinha o tempo que quisesse para
aproveitar com a Fera, voltei a me estimular. Enquanto isso, ele lentamente
saiu de mim, quase por completo, depois, igualmente devagar, voltou a me
possuir. Ele continuou pacientemente, enquanto eu buscava meu próprio prazer.
Eu
tinha todos os sentidos em estado de alerta e excitação. Minha pele se repuxava
sob as mãos brutas que agarravam meus quadris. Meus ouvidos ecoavam com os sons
animalescos dentro do quarto enluarado. Meus olhos se desviaram para o chão,
onde se refletiam as imagens de nossas sombras contrastantes, fundindo-se uma
na outra. Minhas coxas estavam meladas e molhadas em seu interior. Pensei nos
dentes afiados da Fera em meus ombros, quando finalmente encontrei o prazer. Isso
deu início às minhas visitas noturnas ao quarto da Fera. Para mim, cada noite
era mais prazerosa que a anterior, e eu já não me sentia envergonhada. Na
verdade, minha Fera parecia
cada
vez menos fera para mim, e minha afeição por ele tornava-o até bonito. Apesar
disso, a cada noite, quando a Fera me pedia em casamento, eu gentilmente
declinava.
Um
dia, meses depois, recebi um recado de que meu pai estava doente. Mostrei o
bilhete à Fera durante o jantar. Após lê-lo, ele me olhou, aterrorizado.
-Bela,
por favor, não vá -implorou ele.
-Mas
eu preciso! -gritei. -Se algo acontecer ao meu pai antes que eu o veja
novamente, eu jamais o perdoarei!
A
Fera ficou em silêncio por um tempo. -Bela -disse ele, em tom suplicante
-,Se
você deixar esse castelo será a minha morte.
-Não
entendo -respondi, subitamente irritada com todo o mistério que o cercava. O
fato de haver tantas perguntas sem resposta se tornara uma questão mal
resolvida entre nós. Mais uma vez eu voltei a pedir: -Será que você não poderia
explicar suas palavras misteriosas?
-Não
posso -a resposta de sempre. Mas a aflição diante de sua impossibilidade de me dizer
a verdade o tornava um pouquinho mais indulgente. Não vou impedi-la de deixar o
castelo, contanto que prometa voltar para mim em um mês -disse ele.
-Se
você demorar mais que isso eu certamente morrerei.
-Prometo
-respondi com um suspiro, sabendo que não arrancaria mais nada dele.
-Espero
que você cumpra sua promessa, Bela -disse ele, inconsolável. Então se levantou,
parando na soleira da porta. -Haverá dois baús para você encher com as riquezas
do castelo e levar para a sua família.
Naquela
noite eu estava mais ansiosa do que de costume para estar com a minha Fera, mas
também havia muito a ser feito quanto aos preparativos de minha viagem.
Apressava-me de um lado para o outro freneticamente, sempre ansiando pelo
momento em que poderia estar com minha Fera, para uma despedida mais íntima. Quando
finalmente entrei em seu quarto, eu certamente tremia de excitação. A Fera
estava sentada numa cadeira no canto do quarto escuro. Ao tirar meu roupão,
posicionei-me, como de costume, na beirada da cama, da forma como ele mais
gostava que eu fizesse. Em alguns segundos eu estava ensopada de suor,
latejando por ele. Era assim que eu me sentia em relação a ele. Já era o
suficiente estar ali, esperando, tremendo, com as mãos sobre os joelhos, na
expectativa do que estaria por vir, despertando aquela reação em mim.
Eu
nem o ouvi se aproximar, quando subitamente senti suas mãos rudes acariciando a
minha pele macia.
-Vire-se
-disse ele, repentinamente, em seu tom rouco.
Parei,
por um instante, estarrecida.
-Esta
noite quero ver seu rosto -disse ele, simplesmente.
Intrigada
pela novidade, obedeci ao seu pedido e me virei. Silenciosamente o observei-o enquanto
ele tirava suas roupas, podendo, pela primeira vez, vê-lo completamente. Ele parecia
muito mais feroz e animalesco sem roupa. Estremeci ao vê-lo nu. Novamente, como
na primeira noite, me ocorreu que ele parecia bem mais fera do que homem.
Masele
é um homem, insisti, recusando-me a aceitar qualquer ideia que desse fim
àqueles prazeres noturnos. E fechei meus olhos com a aproximação da fera nua.
-Abra
os olhos, Bela! -rosnou ele. Eu o fiz e vi sua masculinidade apontada diante de
meus lábios. Ele pegou minha cabeça com as mãos, mas eu resisti. A Fera
deteve-se em forçar-se em minha boca, mas também não soltou minha cabeça.
Olhei
aquilo à minha frente. Era diferente de um homem normal. Além de maior, tinha
uma coloração bem mais escura. Experimentei colocar minha língua para fora,
passando-a levemente no objeto que me trouxera tanto prazer. A Fera estremeceu
e subitamente fui tomada pelo desejo de satisfazê-lo. Abri a boca e primeiro o
acarinhei suavemente com os lábios, mas logo me vi sugando, faminta. Ele era
tão enorme que eu só conseguia tomá-lo parcialmente, mesmo assim, com grande
esforço, mas ele não parecia se incomodar; a porção que eu conseguia ter, eu
tomava com gosto, e o abocanhava com os lábios, língua e maxilar.
Subitamente
a Fera me deteve e saiu de minha boca empurrou-me sobre a cama e afastou minhas
pernas. Eu olhava dentro de seus olhos escuros, enquanto ele se aproximava.
Havia algo brilhando ali -algo que não era humano. Eu queria desviar, mas seu
olhar prendia o meu.
Uma
onda de terror passou por mim.
A
Fera rugiu ruidosamente ao me penetrar. Minhas pernas estavam totalmente
afastadas, enquanto eu tentava acomodar sua forma imensa. Ele se roçava e gemia
impiedosamente, servindo-se de minha carne macia. Seu hálito quente ardia em
minha pele e eu olhava com terror e fascínio, enquanto seus dentes afiados
cuidadosamente mordiscavam meus ombros e seios.
Mas
meu terror vinha acompanhado por aquele prazer familiar que a Fera já cultivara
em mim. Ambos atuavam junto a ele, levando-me a uma paixão que eu jamais
experimentara. Eu me deleitava com o pelo animal que cobria seu corpo e os sons
que ele emitia ao me possuir animalescamente. Eu me contorcia e gemia, com suas
mãos brutas e imensas machucando minha carne macia, incessantemente, enviando
arrepios de prazer abaixo da superfície. Eu
gritava
repetidamente, em total abandono, suplicante e tonta, sob as sensações de
profunda agonia e prazer que me inundavam. Era uma onda de prazer atrás da
outra, até que ouvi vagamente um rugido tremendo da Fera, em meio aos meus
gritos.
Antes
que pudesse recobrar o fôlego, já era de manhã!
Parti
com tanta animação que nem pensei na minha Fera durante dias. Meu pai se recuperou
logo que cheguei, e fiquei entretida pelos dias movimentados da família
numerosa.
Um
mês se passou num instante e era hora de regressar ao castelo.
Sem
dúvida, as histórias que você leu fizeram com que eu parecesse um tanto
indelicada e até relutante em voltar à minha Fera. Isso estava muito longe de
ser verdade. Eu sentia terrivelmente a sua falta! Eu queria regressar ao
castelo mais que tudo. Porém, minha mãe caía em prantos sempre que eu tentava
partir.
Assim,
quase dois meses se passaram, até que um dia, tarde da noite, acordei sonhando com
o castelo e a minha Fera. Tudo estava escuro no sonho, e eu andava pelos
corredores do castelo à procura da Fera. Ao entrar em seu quarto, o vi dormindo
serenamente em sua cama.
Ao
me aproximar dele, me ocorreu que minha Fera não estava dormindo, ele estava
morto! Meu próprio grito havia me alertado.
Subitamente,
eu me lembrei do aviso da Fera, de que ele certamente morreria se eu ficasse
longe por mais de um mês!
Imediatamente
pulei da cama e arrumei minhas coisas. Pela manhã, eu estava pronta para partir
e, após uma despedida triste, porém firme, iniciei a minha jornada de volta ao
castelo e à minha Fera. Oh, como sofri nesse dia, temendo que talvez nunca mais
voltasse a vê-lo! Mal sabia eu o quanto havia de verdade naquilo...
Ao
final daquele dia, quando finalmente cheguei ao castelo, corri direto ao quarto
da Fera. Ele estava deitado na cama, exatamente como em meu sonho.
-Não!
-gritei, correndo até junto dele. -Por favor, Fera, não morra!
Sua
cabeça inclinou ligeiramente ao ouvir minha voz. Vibrei de felicidade e o
enlacei em meus braços. -Graças a Deus você não está morto -eu murmurava por
entre lágrimas.
-Você
voltou -foi tudo que ele disse.
-Sim,
voltei... para sempre! -Eu sabia que jamais o deixaria novamente. -Você quer se
casar comigo, Bela? -perguntou ele.
-Sim,
Fera -eu disse, chorando. -Sim, sim, sim!
Eu
mal tinha pronunciado essas palavras quando, subitamente, houve um clarão. No momento
seguinte, um estranho estava sentado no lugar onde a Fera estivera deitada.
Minha
fera
havia desaparecido. Suspirei atordoada e dei um passo atrás.
-Oh,
Bela -exclamou o estranho. -Você finalmente me libertou da maldição!
Pisquei
os olhos, tentando compreender as palavras do homem. Ele estava explicando que era
minha Fera, mas, na verdade, tratava-se de um príncipe que fora transformado em
Fera pela maldição de uma bruxa diabólica. Por ser uma bruxa extremamente
perversa, ela acrescentara como condição quase inalcançável de sua libertação
que ele se casasse com seu verdadeiro amor ainda sendo uma Fera!
Então,
pensei, esse estranho é a minha Fera. Observei seu rosto e vi que ele era, de
fato, um belo príncipe. Não pude descrever a decepção que senti, além disso,
jamais vira minha Fera tão feliz quanto nesse dia. Nós nos casamos.
E
agora tenho de terminar minha fábula, pois está ficando tarde e está na hora de
me preparar para meu marido, o príncipe. Agora ele vem ao meu quarto e, como
sempre, preciso estar pronta para ele.
Mas
não posso buscar brilho selvagem em seus olhos. Ou ouvir aquele rosnado
ensurdecedor. Parei de procurar por essas coisas há anos.
Nancy Madore do Livro Contos de Fadas Eróticos